quarta-feira, 25 de março de 2015

CRONOS (Kronos, Κρόνος)

Titã do Tempo


Seu nome pode ter derivado do verbo Kreno, “reinar sobre”, “governar”. Significa “tempo”, é a personificação da temporalidade, o senhor do tempo, da passagem dos anos e o tempo que consome e destrói .
Primogênito entre os titãs e, segundo Pseudo-Apolodoro, é o mais novo e fraco, mas o mais inteligente dentre os titãs. Hesíodo ainda o descreve como aquele de pensamentos traiçoeiros. 
Cronos tem como irmãos os doze titãs: Oceano, Céos, Crio, Hiperio, Jápeto, Téia, Reia, Têmis, Mnemosine, Febe e Tétis; e se casa com sua irmã Réia(Fluxo, duração). Seu reinado representa a segunda fase cósmica da cosmologia grega e foi conhecida como a "Idade de Ouro".

Em um Universo ainda em criação esta o Céu(Urano) como poder fecundante e a Terra (Gaia ) como berço fértil. O céu, ávido de amor e de desejo, cobre a terra todos os dias, de sua união com Gaia nasceram os Titãs, os Ciclopes e os Hecatônquiros.
Urano, que podia ver o futuro, temia o poder dos filhos e não suportando a ideia, os devolve para as entranhas da Terra(Tártaro). 
Gaia, já não aguentando mais de dor de segurar seus filhos no ventre, faz um apelo aos titãs para se vingar da cobiça de Urano: 

“Filhos meus e do pai estólido, se quiserdes 
ter-me fé, puniremos o maligno ultraje de vosso 
pai, pois ele tramou antes obras indignas.(...)” (Hesíodo; TEOGONIA. pag.93)

Nenhum dos filhos se manifestou temendo o pai mas Cronos, o mais novo, respondeu a súplica da mãe:

“Mãe, isto eu prometo e cumprirei 
a obra, porque nefando não me importa o nosso 
pai, pois ele tramou antes obras indignas.(...)”
(Hesíodo; TEOGONIA. pag.93)


Gaia então retirou de seu seio o ferro e criou uma foice dentada e entregou ao filho mais novo que ficou de tocaia oculto pela mãe. Quando a noite caiu o Céu veio cheio de amor para se deitar sobre a Terra e não percebeu Cronos que, com a longa foice na mão direita, escondido atacou e ceifou o pênis de Urano. Na versão de Apolodoro, Cronos teve a ajuda de quase todos seus irmãos(menos Oceanos).

Cronos interfere na fecundação da Terra desta forma não mais os seres nasceriam diretamente dela. Urano castrado pela astúcia de Cronos batiza os filhos de “titãs”, aqueles que nasciam da terra, e os alerta que o castigo ainda esta por vir. 
Com a queda de Urano, Cronos sobe ao trono e toma por esposa Réia. Durante o tempo em que reinou o homem era recém-criado e aproveitou ao máximo o governo do vigilante e astuto Cronos que tudo observava. O período em que governou é conhecido com a Era de Ouro.

Hesíodo descreve a “Idade do Ouro” como uma época em que os homens viviam em paz; sem fadiga, ganância, violência e sem a necessidade de leis. Os humanos viviam despreocupados, não envelheciam e sempre festejavam; a morte vinha num sono tranquilo; a terra trazia comida em abundância e todos os bens pertenciam a eles e a primavera era sempre eterna.

Cronos também enviou ao Tártaro a filha de Gaia, Campe(Kampe), para resguardar os Hecatônquiros. Campe é uma criatura com metade do corpo superior na forma de uma mulher e a inferior de uma longa serpente(ou a cauda de um monstro marinho); o cabelo são víboras repletas de veneno; em sua cintura estão as faces de cinquenta temíveis animais como leões, lobos e javalis; possui ainda um par de asas negras e no topo da sua cabeça entre as víboras está a cauda de um escorpião peçonhento. Carrega uma foice e é extremamente feroz com olhos repletos de chamas e fiel a Cronos.

O reinado de Cronos foi bom e próspero, mas quando Gaia o alertou de que um de seus filhos tomaria seu lugar, enfureceu-se. Com Réia teve seis filhos: Hera, Deméter, Héstia, Hades, Poseidon e por último Zeus, e cada um que nascia devorava os mantendo em sua barriga. Decidida a não deixar que acontecesse o mesmo com seu sexto filho, Réia auxiliada por Urano e Gaia escondeu Zeus do pai e entregou ao marido uma pedra se passando pelo recém-nascido.

Assim que Zeus cresceu foi auxiliado por Métis(prudência) a destronar o pai. Zeus confronta Cronos que vomita todos seus filhos até então devorados cuspindo por último a pedra dada por Réia no lugar de Zeus. Tem início então a Titanomaquia, a exaustiva guerra entre Titãs e Olimpianos que durou dez anos.

A guerra só chegou ao fim quando Zeus, aconselhado por Gaia, libertou do tártaro os hecatônquiros(Centíamanos) e ciclopes aprisionados por Urano. A força dos gigantes sobrepujou os titãs que, com uma chuva de pedras, perderam a batalha. Cronos e alguns dos titãs – como Iapéto - que se rebelaram na titanomaquia foram aprisionados no tártaro.
Segundo o dramaturgo Ésquilo, antes de ser aprisionado, Cronos amaldiçoou Zeus a sofrer o mesmo destino de ser derrubado por um filho.

Hesíodo descreve a prisão dos titãs no Tártaro como úmida, escura e enevoada em algum lugar nos confins no limite da terra e do mar. Estão encarcerados por um portão de bronze que Poseidon construiu e com paredes grossas a sua volta e o teto protegido pela terra e pelo mar, tem os Centíamanos como carcereiros. O Tártaro é tão profundo na terra que Hesíodo descreve a distancia do céu ao Tártaro usando uma bigorna de bronze que cai dez dias até chegar a terra e mais dez até o Tártaro:

“(...)Nove noites e dias uma bigorna de bronze 
cai do céu e só no décimo atinge a terra 
e, caindo da terra, o Tártaro nevoento. 
E nove noites e dias uma bigorna de bronze 
cai da terra e só no décimo atinge o Tártaro.(...)”
(Hesíodo; TEOGONIA. pag.110)


Basta lembrar quem nem todos os titãs foram aprisionados no Tártaro, alguns nem sequer participaram da guerra, como o caso de Réia. Outros ainda foram condenados de outra forma como é o caso de Atlas que foi condenado a sustentar para sempre o peso do céu nos ombros.

Alguns autores, como no caso de Hesíodo, Píndaro e Platão, Zeus ainda liberta Cronos de sua prisão após muitas gerações e o manda para os Campos Elíseos como Rei; Já Homero atribui o título de governante dos Campos Elíseos a Radamanto, o juiz dos mortos, enquanto Cronos permanece enclausurado em sua prisão no tártaro.
Posteriormente, após a visão de Hesíodo e de Homero, surge Chronus(Chronos, Khronos) que, de acordo com o Orfismo, tradição de mistérios do mundo grego, é um protogenoi(entidade primordial) presente na criação do Universo. A divindade surge por si só rodeando o universo em companhia de sua companheira Ananke( inevitabilidade). Juntos circulam em espiral em torno do ovo primordial de onde nasce o universo( terra, céu e mar). Chronos é descrito como uma entidade incorpórea e serpentino possuindo três cabeças(homem, touro e leão), devorava os próprios filhos em um ato de canibalismo que representa o fato de nada escapar do tempo sendo vencidos(devorados) por ele. 
A associação de Cronos com Chronos se da á partir da Renascença onde ambos são descritos como mesma entidade. Cronos recebe o título de “pai do tempo” e, assim como Chronos, devora seus próprios filhos mas, diferente do protogenoi, é um ato de autopreservação. 

O culto a Cronos começa na Grecia e chega até os romanos. Em Atenas se festejava a festival de Kronia dedicado a Cronos. No calendário ático da Grécia antiga, o festival ocorria no décimo segundo dia do primeiro mês do calendário que corresponde aos meses de Julho e Agosto. A Kronia é um festival que significava o final do ano e o começo de uma nova era cheia de expectativas. Segundo fontes, este festival era bastante importante relembrando a "Era de Ouro" de Cronos e as festividades eram famosas por características marcantes como a libertação temporária de escravos (N.S. Gill; "Kronia" em ancienthistory.about.com).


Para os romanos Cronos recebe o nome de Saturno associado à agricultura. Durante a “Era de Ouro”, ensinou aos homens as funções agrícolas, em homenagem a Cronos se celebrava a Saturnália. Ocorria todo dezembro, no solstício de inverno e começava como um grande banquete seguido de oferendas, sacrifícios e doações. Assim como a Kronia, significava uma nova era cheia de expectativas em honra a “Era de Ouro” onde nada faltava ao homem.
A descrição de Cronos é de um homem mais velho com corpo forte com barba branca e cabelo grisalho. Muitas vezes Cronos é retratado segurando uma foice, seu símbolo, ou ainda é retratado devorando seus filhos ou os recebendo de sua esposa.


  • COMPLEMENTOS

FOTO:

* Pintura de Peter Paul Rubens. Cronos devorando um de seus filhos.

REFERÊNCIAS:

Consulta Online 


  • www.theoi.com/ (Dezembro 2013) 
  • www.pantheon.org/ (Dezembro 2013) 
  • www.mythweb.com/(Dezembro 2013) 
  • ancienthistory.about.com/ (Dezembro 2013) 

Livros, periódicos e textos 
  • BULFINCH, Thomas - O Livro de Ouro da Mitologia, Histórias de Deuses e Heróis. 
  • HESÍODO: Tradução TORRANO, Jaa - Teogonia, A Origem dos Deuses. 
  • HOMERO: Tradução MENDES, Manoel Odorico - Ilíada 
  • BRANDÃO, Junito de Souza - Mitologia Grega. 
  • HESÍODO: Tradução LAFER, Mary de Camargo Neves - Os Trabalhos e os Dias.

OBSIDIANA




"Vamos falar da Obsidiana? Uma pedra de energia intensa com uma história incrível e de grande beleza."



A Obsidiana é uma rocha ígnea proveniente da lava solidificada rapidamente sem tempo de cristalizar-se. Classificada como mineralóide, a Obsidiana possui em sua composição elevados valores (acima de 70%) de sílica (SiO2), semelhante aos minerais Riólito e Granito.

As jazidas deste mineralóide são encontradas em boa parte do mundo como México, EUA, Armênia, Argentina, Grécia, Chile,Turquia, Nova Zelândia, Japão, Itália, Islândia, Guatemala, Kenia e Azerbaijão.

Há muitos textos com diferentes versões sobre a origem do nome Obsidiana. Segundo as referencias encontradas, este nome deriva do latim obsidianus ("Opsidius" e "Obsius") o qual é encontrado em textos escritos pelo naturalista romano Plínio, o Velho do Século I, falando respeito do vidro vulcânico que tem semelhança a uma pedra etíope encontrada pelo descobridor Obsius.
Em outras referencias, a palavra "Obsidiana" teria sido uma interpretação errônea do nome Obsianus (Pedra de Obsius).
Existem outros sinônimos para a Obsidiana, tais como: Vidro Vulcânico; Bergmahogany e Xaga usado pelos nativos americanos.


Por causa de sua dureza, é uma pedra de longa duração mas pode ser. Limpe a pedra com água e sabão e secar com tecido macio. Na joalheria evite passar produtos de limpeza para metais sobre a pedra.
Evite colocar a pedra solta junto de outras pedras pois, dependendo na dureza das outras pedras, podem riscar a Obsidiana.

  • TIPOS 

Os tipos de Obsidiana conhecidas são: Obsidiana preta, Obsidiana Floco de Neve, Obsidiana Cor de Mogno( Marrom)¹, Obsidiana Lágrima de Apache, Obsidiana Arco Íris e a Obsidiana com reflexos de prata ou ouro.
As cores vão de preto, marrom, vermelho escuro, com reflexos “coloridos” e com manchas avermelhadas e esbranquiçadas de cores sólidas, opacas, translucidas e com brilhos lustroso de prata ou dourado causados pelos gases presos em sua composição.
Alguns vendedores comercializam um tipo transparente de vidro vulcânico de tom esverdeado ou azulado. É bem provável que este tipo de “Vidro Vulcânico” seja sintético, pois, dificilmente existem espécies transparentes de Obsidiana na natureza.


As cores de cada tipo de Obsidiana varia de acordo com a quantidade de impurezas em sua composição, tais como ferro, magnésio, cristobalite, etc. A Obsidiana Preta é a cor mais comum e pura seguida pela Obsidiana Cor de Mogno.
Como é um "vidro", a Obsidiana é quimicamente instável podendo sofrer cristalizações com a passagem do tempo. Este processo de cristalização não ocorre de forma uniforme em toda a rocha; pelo contrário, é esparso e interno formando desenhos radiais de cristais do mineral crostobalite brancos ou cinzas. Quando cortada ou polida esses espécimes são conhecidos como Obsidiana Floco de Neve.
Em alguns casos a Obsidiana possui um brilho irridescente ou metálico causado pelas partículas de minerais, tais como a magnetita, ou gases da lava presos em seu interior. Essas Obsidianas com reflexos são chamadas de Obsidiana Arco Íris e Obsidiana com reflexos de prata ou ouro.

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¹ Em algumas referencias a Obsidiana Cor de Mogno e a Obsidiana Marrom são tipos diferentes, sendo a Obsidiana Cor de Mogno proveniente da mistura entre a Preta e a Marrom.

  • HISTÓRICO 
A Obsidiana tem uma longa história de uso junto ao homem. Em vários sítios arqueológicos da Idade da Pedra foram encontradas lâminas afiadas e pontas de flechas feitas de Obsidiana.

Para o antigo povo da Mesoamérica pré-colombiana, a Obsidiana tinha um papel importante, recebia o nome de Itzli, o mesmo nome dado a importante divindade das pedras e dos sacrifícios.
No Mediterrâneo, os gregos, acreditavam que este vidro vulcânico trazia mais luz à alma e produziam peças decorativas como esculturas e espelhos.
Na América do Norte, os Nativos americanos possuem muitas lendas e histórias sobre a Obsidiana Lágrima de Apache (ver Curiosidades no final da matéria) e acreditavam que quem portasse esta pedra nunca mais choraria e teria sempre boa sorte.

Atualmente a Obsidiana continua sendo utilizada para a fabricação de lâminas cirúrgicas. No campo da joalheria a Obsidiana é bastante apreciada mas não é aconselhada para o uso em braceletes e em anéis devido ao seu Mohs que a torna fácil de riscar e de resistência mais baixa, sendo preferível usa-la em pingentes, brincos e em broches. As obsidianas Arco Íris e as Reflexivas de ouro e prata são as mais procuradas para a fabricação de joias.
Outro uso da Obsidiana na joalheria é para ressaltar o brilho da Opala. Uma camada de Obsidiana é colocada sob a Opala.


  • ENERGIA DA OBSIDIANA 
No geral, a Obsidiana é uma pedra de energia emissora* e é conhecida por ser uma pedra de força intensa. Tida como intensificadora de emoções positivas e negativas, possui uma forte energia espiritual e poder de absorção de energias negativas.
Algumas pessoas evitam utilizar esta pedra. Existe uma ideia que, por ter sido solidificada rapidamente, as moléculas em seu interior se distribuíram de forma desorganizada e por via disto a Obsidiana ressoa uma energia desorganizada e confusa. Por outro lado, outras pessoas, apreciam os ensinamentos que esta energia pode trazer e por isso utilizam, apropriadamente, a pedra.
De qualquer forma, trabalhar com a Obsidiana requer respeito e cuidado e é aconselhável utilizar outro cristal para amenizar a intensidade deste Vidro Vulcânico como, por exemplo, o quartzo puro.

Como um espelho, A Obsidiana reflete a verdade - por mais dolorosa que possa ser - na nossa cara. É utilizada na meditação para a busca de respostas - sendo elas boas ou não. A Obsidiana é uma lâmina de dois gumes que auxilia a encontrar o âmago da questão revivendo magoas, dores, duvidas e medos.
É um talismã contra o mal mas absorve facilmente a energia negativa por isso é aconselhável que, após o uso, passe por uma limpeza da energia contida (pode-se utilizar uma selenita por exemplo).

Associada a Plutão, ao signo de Escorpião e aos elementos fogo e terra. A energia da Obsidiana atua nos Chakras* da Base e do Plexo solar sendo favorável para esclarecimentos e equilíbrio das emoções.
Benéfica para a regeneração de ossos e pele, em tratamentos estomacais e intestinais, proteção contra viroses e auxilia na circulação sanguínea.

Abaixo segue, de forma resumida, algumas características energéticas, além das citadas acima, de cada tipo de Obsidiana de forma individual:

Obsidiana preta - Esta é a Obsidiana de poder mais intenso. Conhecida por trazer a tona sentimentos negativos e positivos de forma acentuada, é favorável a quem deseja enfrentar e resolver os problemas de forma rápida e marcante.

No campo xamânico, a Obsidiana Preta é utilizada para eliminar distúrbios físicos e mentais e auxiliar no poder da profecia, dissipando barreiras que dificultam nossa intuição.

Obsidiana Cor de Mogno - Tem uma energia semelhante a Obsidiana Preta. Trabalha em sintonia com a energia da Terra ancorando e protegendo em momentos de dificuldade. Pedra indicada para enfrentar momentos de tensão em público como palestrar ou passar por provas.

A Obsidiana Cor de Mogno bloqueia ataques psíquicos e protege contra aqueles que desejam te prejudicar. É uma pedra que cicatriza humilhações e abusos do passado e torna o pensamento emocional mais racional.
Esta Obsidiana atrai forças espirituais como também intensifica nossas emoções quer sejam positivas ou negativas.

Obsidiana floco de neve - Em sequência, a Obsidiana Floco de Neve é a segunda de energia mais intensa, capaz de trazer à tona as forças positivas e negativas.
A Obsidiana Floco de Neve equilibra nosso estado de espírito e aumenta nossa receptividade. Nos ensina a valorizar tanto nossos erros quanto nossos sucessos e auxilia a liberar pensamentos enraizados, promovendo o desapego.

Pode ser utilizada na meditação, para liberar emoções e pensamentos negativos a fim de livrar-nos deles e aprendermos com eles, mas cuidado! Utilizar a Floco de Neve significa liberar a raiva que existe em nosso interior, utilize com cuidado e, de preferência, junto a outro cristal como o quartzo.

Obsidiana lágrima de apache - Como todas as Obsidianas, a Lagrima de Apache, também trabalha com o aumento das energias e emoções positivas e negativas mas de uma forma mais lenta de modo que possamos lidar de forma mais amena com ela trabalhando-as mais lentamente.
Assim como sua história, esta pedra auxilia em momentos de tristeza, confortando e aliviando mágoas e dores e trazendo a coragem para superar estes momentos. Esta é uma pedra que promove o autoperdão, aliviando a culpa que geralmente permanece estagnada em nosso interior.

Segundo alguns usos antigos, a Lagrima de Apache é um ótimo talismã para atrair riqueza e proteger de acidentes. Outro uso desta pedra é como uma poderosa ferramenta de meditação que auxilia em esclarecer questões e dúvidas.

Obsidiana arco iris - Tem uma força suave comparada as outras Obsidianas mas continua trazendo emoções como a raiva, o medo e o amor para a superfície. A Obsidiana Arco-iris desfaz as amarras do passado, principalmente as magoas causadas por antigos amores ou amigos perdidos.

A Obsidiana Arco Iris é uma pedra de pureza e serenidade auxiliando a seguir a vida de forma mais tranquila, a ter equilíbrio em momentos de mudança e a superar a depressão. Poderosa para a meditação para desfazer barreiras e medos, expande sua consciência e aumenta seus sentidos escavando profundamente dentro de suas experiências antigas.

Com reflexos dourados e prateados - Estas Obsidianas possuem as energias mais amenas. Ótima obsidiana para nos conectar com nosso corpo astral e a tomar a direção certa para crescer espiritualmente, faz com que entremos profundamente no problema para compreende-lo e resolve-lo.

Esta é uma Obsidiana de energia espiritual intensa, auxilia a crescer no futuro aprendendo com as experiências do passado. Encoraja a ter perseverança e paciência e a quebrar vícios e hábitos ruins.

  • CURIOSIDADES 

A Lenda por trás da Obsidiana Lágrima de Apache

Os nativos da nação Apache tem uma lenda sobre a “Lágrima de Apache”, um tipo brilhante de Obsidiana.
A lenda conta que após muitos ataques Apaches contra os assentamentos americanos no Arizona, os militares decidiram seguir a trilha do gado roubado e armar uma emboscada para os apaches que seria deflagrada durante a madrugada. Este ataque pegou os apaches totalmente despreparados e na primeira incursão 50 dos 75 guerreiros morreram por disparos das armas de fogo. O restante recuou até a beirada de um penhasco e, preferiu morrer atirando-se no vazio do que morrer nas mãos dos homens brancos.
As mulheres da tribo então se arrastaram até a beirada do penhasco e por uma semana choraram seus mortos e a perda do espírito guerreiro Apache. O lamento das mulheres foi tão sincero e doloroso que o Grande Espírito resolveu colocar as lágrimas dentro de rochas pretas. Estas Obsidianas, quando colocadas contra a luz, revelam a transparência das "lagrimas" Apache.
Para os Nativos, quem portasse a Lágrima de Apache não sentiria mais tristezas, teria sempre sorte e encontraria a riqueza.

(Pontas de flechas e lanças encontradas no Parque "Gates of The Artic" nos EUA.
Referência da foto - www.nps.gov)


O poder da Obsidiana para os Astecas 


Tezcatlipoca (ou Itzli), cujo nome significa, literalmente, "Espelho Esfumaçado" é o Deus da feitiçaria, da guerra e da noite; patrono dos reis e dos guerreiros. Tezcatlipoca é um Deus vingativo e uma das principais deidades do panteão asteca.

Esta divindade carrega um espelho de Obsidiana, a pedra que é seu símbolo, e com este espelho consegue ver todos os pensamentos e ações humanas. O espelho de Obsidiana, era utilizado em rituais xamãnicos pelos astecas.

Outro uso da Obsidiana pelos povos da América Central era como poderosa lâmina. Em Nahua, idioma clássico asteca, Macuahuitl, significa, literalmente, "Vara de Madeira". Esta "espada" utilizada pelos astecas e outros povos da América Central, é, na verdade, um bastão de madeira feito de uma prancha de carvalho ou pinho de aproximadamente 50cm a 1m de comprimento com lâminas de Obsidianas afiadas ao longo de toda sua extensão.

De acordo com a estratégia militar asteca, quando o inimigo estava muito próximo e fora do alcance das flechas e lanças, os guerreiros armados de Macuahuitl entravam em combate. Esta arma, segundo registros dos conquistadores espanhóis, Bernal Diaz del Castillo e Hernan Cortés, tinha a força suficiente para decepar a cabeça de um cavalo.
O último exemplar desta arma, que sobreviveu a invasão espanhola, foi destruído em um incêndio em 1849 no Museu de Armas e Armaduras de Madri na Espanha. Hoje só restam as pinturas daquela época ilustrando o poder desta arma.

  • COMPLEMENTOS 
GLOSSÁRIO

* Escala de Mohs : Escala de dez valores criada pelo mineralogista alemão Friedrich Mohs em 1812 que mede a dureza e resistência de um mineral contra arranhões e quedas. A escala possui 10 valores de dureza começando pelo 1, o mais frágil e terminando no 10, o mais resistente. Ex. 1 - Talco e no 10 - Diamante ;
*Chakras(chacras): Segundo a filosofia hindu, são vórtices de energia vital de diferentes vibrações eletromagnéticas que unem o corpo físico ao espiritual. Existem sete chakras principais posicionados ao longo da coluna vertebral e cada um representa um aspecto de nossa vida, incluindo físicos, materiais, espirituais, sexuais, etc.


REFERÊNCIAS

Consulta Online

  • crystalsandjewelry.com/ - (Julho 2014); 
  • purajoia.blogspot.com.br/ - (Julho 2014); 
  • crystal-cure.com/ - (Julho 2014); 
  • www.crystalwellbeing.co.uk/ - (Julho 2014); 
  • luizmenezes.com.br - (Julho 2014); 
  • www.mindat.org - (Julho 2014); 
  • www.paganlore.com - (Julho 2014); 
  • www.firstpeople.us - (Julho 2014); 
  • www.encyclopedia.com - (Agosto 2014); 
  • geology.com - (Agosto 2014); 
  • archaeology.about.com - (Agosto 2014); 
  • blog.artstones.com.br - (Julho 2014); 
  • www.behindthename.com - (Agosto 2014); 


Livros, periódicos e textos
  • KING, M.A. - The Natural History, Ancient and Modern of Precious Stones and Gems, and of the precious metals. (farlang.com) 
  • FARRINGTON, O.C. - GEMS and Gem Minerals. (farlang.com) 
  • KUNZ, Frederich, George - THE MAGIC OF JEWELS AND CHARMS. 
  • HALL, Judy - A Bíblia dos Cristais 
  • DUNCAN Antonio - ABC dos Cristais 
  • SIMPSOM, Liz - O Livro da Cura Pelos Cristais. 

HERA (Ἡρη)

Deusa do matrimônio e do ciclo feminino; Senhora do Olimpo




Hera ("Juno" em romano) nasceu na Ilha de Samos, ao lado do Rio Imbrasos e sob a sombra de um salgueiro. Seu nome significa “Senhora” ou “Protetora”. Na Ilíada, Hera é chamada de "Rainha dos Céus," e de "Hera do Trono de Ouro."
Em algumas versões é a primogênita de Cronos e Réia(em outras Héstia, sua irmã, é a mais velha, e ainda em outras versões é a irmã gêmea de Zeus).
Foi engolida por seu pai Cronos e salva por Zeus sendo a última a ser regurgitada. Durante a titanomaquia, Réia entregou a filha aos cuidados do titã Oceanos, à personificação das águas correntes e doces, e da Titanide Tétis, as águas frescas que alimentam a terra. Se tornou a sétima esposa de Zeus e Rainha do Olimpo.
É a Deusa do casamento e do nascimento, o princípio feminino e representa o ciclo feminino e seu poder.

Encantado por Hera, Zeus criou uma tempestade de modo que a Deusa se escondesse em uma gruta para se proteger da chuva. Em seguida o Olimpiano se transformou em um cuco ferido e com frio e voou ao redor de Hera repousando em seu seio e recebendo afagos da divindade, com isso, Zeus recuperou sua real forma e cortejou Hera. No começo, Hera resistiu aos avanços de Zeus e somente cedeu quando este prometeu se casar com ela.

O casamento, a Theogamia( ou Hieros Gamos, uma celebração de casamento entre divindades ou mortais) , segundo Homero, foi celebrado no Monte Ida da Frigia( outros dizem ter sido em Creta, próximo ao rio Thereno), foram convidados todos os Deuses e Semi-Deuses. A única a se atrasar para o casório foi à ninfa Cheloné (Quelone,Khelone) que, com preguiça de fazer qualquer coisa adormeceu, quando despertou após o casamento foi transformada por Hermes em uma tartaruga.
Na Gamelia (banquete de casamento) são oferecidos figos com mel e guirlandas de flores para Hera, ritual que até hoje é comemorado em casamentos e oferecidos a Deusa invocando a benção do casal.

O casamento de Hera e Zeus foi considerado a primeira cerimônia e todos os anos o casal celebrava a Theogamia novamente. Hera se banhava no Rio Canathus em Naplia e recuperava a virgindade, se perfumava e vestia lindas vestes para se unir ao marido. Anualmente, antes da lua nova, as seguidoras de Hera seguiam um rito em que banhavam sua estátua numa nascente sagrada, restaurando assim sua virgindade.

Um dos presentes de casamento que recebeu foi de Gaia, sua avó Terra, uma árvore que dava romãs de ouro, símbolo do auspício e fecundidade.
É o par complementar de Zeus, representa a fecundação e dedicação em conservar e fortalecer. Hera é a Deusa do matrimônio, defende as causas da união e por isso é uma Deusa fiel e virtuosa não cedendo a nenhuma das investidas de outros Deuses.

Certa vez o Rei Ixion dos Lápitas, bêbado de néctar , assediou Hera. A Deusa contou a Zeus que, divertido, passou a testar Ixion.
Zeus criou uma cópia de Hera feita de nuvens e a deixou a sós com Ixion, este a possuiu e no dia seguinte foi se gabar aos homens por ter dormido com a esposa de Zeus. Enfurecido o Rei dos Deuses fulminou Ixion e o condenou ao tártaro a girar eternamente em uma roda de fogo. Em algumas versões desta história a festa em que Ixion flertou com Hera foi no próprio casamento dos Deuses, noutras versões foi em um banquete entre Deuses.

Em Homero, Hera é descrita como ciumenta, possessiva e intocável, agride e persegue os filhos nascidos dos casos extraconjugais de Zeus, como é o caso de Héracles(Hércules) no qual Hera o fez passar por severas provações(Os Doze Trabalhos de Hércules) e o caso de Leto, mãe de Artêmis e Apolo, que Hera perseguiu não deixando os gêmeos nascerem; ou ainda o caso de Io que, transformada em vaca por Zeus para a protege-la de Hera, vagou até o Egito tentando fugir da ira da Rainha dos Deuses.
Os que sobrevivem a suas provações são por ela aceitos ou consagrados, como é o caso de Hércules que, quando se tornou imortal, recebeu a mão da filha de Hera, Hebe, a juventude, em casamento.
Dos filhos dos casos de seu marido somente um foi tolerado desde o início. Hermes, a comunicação, e sua mãe Maia, foram aceitos pela Deusa que ficou impressionada com a inteligência de Hermes.

Zeus não enfrentava a ira da esposa, sempre procurava contornar e esconder seus casos ajudando em silencio seus filhos e amante perante o ciúmes da esposa. Em certa ocasião a ninfa Eco, a predileta de Artêmis e conhecida por falar além da conta, entreteu Hera com sua conversa enquanto Zeus se divertia com as ninfas. Quando Hera descobriu amaldiçoou Eco de modo que a ninfa sempre repedisse o final de todas as frases ditas.

Com Zeus, Hera teve Hebe, Deusa da Juventude; Ares, Deus da Guerra e Ilithyia, Deusa protetora do parto - alguns autores defendem que Ilithyia é uma Deusa tão ou mais antiga do que Cronos e não filha de Zeus e Hera.
Diz-se que, Hera, enciumada pelo nascimento de Atena por Zeus, gerou sozinha Hefésto, o Deus das ferramentas, em outra versão foi um dos filhos do casal real.

Existe uma passagem na Ilíada de Homero que diz que: Certa vez, Hera, Poseidon e Athena – em algumas versões Apolo também -, procuraram enganar Zeus e o prender. Thetis, a ninfa, é quem percebe a artimanha e avisa Zeus que convida o hecatônquiro Brireu para o seu lado afim de assustar a investida dos outros Deuses:

“(...) De única blasonavas que entre os deuses
Preservaste o nubícogo Satúrnio
Do feio opróbrio, quando, à frente a esposa
E Minerva e Netuno, o encadearam:
Mas tu, madre, lhe acorres e o desprendes,
Convocas em auxílio o Centimano,
Que é nos céus Briareu, na terra Egéon.
Mais robusto que o pai, da honra altivo,
De Jove a par se teve, e de assustados
Os imortais do empenho desistiram.(...)"
(Homero; ILÍADA . Livro I)

Como punição a essa afronta, Zeus manda Poseidon – e/ou no caso Apolo - servir por um ano o Rei Laomedonte de Tróia. No caso de Hera existe uma passagem que diz que a esposa de Zeus, como punição foi pendurada pelas nuvens com um peso de bronze nas pernas e que serviria de exemplo aos outros por sua afronta; outros autores dizem que esta não foi uma penitencia pela revolta e sim um método de “acalmar” o ciúmes doentios de Hera.

Em outra ocasião, descrita por Pausanias, Hera e Zeus tiveram uma briga. Enraivecida Hera saiu do Olimpo e foi para a Ilha Eubeia. Zeus sentiu sua falta e tentou de todas as formas convencer em vão a esposa a retornar ao Olimpo. Por fim buscou na região de Plateias(Local onde se encontra Tebas)no Monte Citerão o conselhos dos homens. Aconselhado Zeus construiu uma boneca de madeira enfeitando-a com joias, vestidos e perfume e a colocou em uma carroça puxada por bois. Então espalhou-se a notícia de que Zeus se casaria com Plataia, filha de Asopo.
A notícia chegou a Hera que, enfurecida, foi ter com a noiva. Ao se aproximar da carroça puxou o vestido da suposta noiva que se revelou uma boneca de madeira. A Deusa achou tanta graça que se reconciliou com Zeus.
Para comemorar esta reconciliação se celebra um festival de nome Daedala que ocorre de quatro em quatro anos. É esculpida uma noiva em madeira e levada para o templo de Hera onde é “sacrificada” em chamas.

Outra celebração, citada por Pausanias, atribuída a Hera, é a Heraia. As Herais eram jogos esportivos femininos dedicados a Hera e celebrados a cada quatro anos em Olimpia. As competidoras eram mulheres não casadas divididas em três categorias por idade, e a prova era uma corrida em um estádio.
As vencedoras eram coroadas com ramos de oliveira e era colocada uma pequena estátua em sua homenagem em um templo de Hera.
O culto a Hera é tão antigo quanto se tem notícia chegando até mesmo a superar o de Zeus. É uma Deusa de importância entre os Gregos e muito poderosa, como visto anteriormente, a ela eram atribuídos muitas cerimônias e cultos.
Possuía muitos Heraion( ou Heraeum), templos dedicados a si, por toda a Grécia. Seu culto foi bastante difundido na Ilha de Samos, em Creta; na Olimpia; na península de Perachora; em Argos na Argólida; entre outros lugares que hoje apenas restam resquícios de seus maravilhosos templos.
É a padroeira dos Argonautas ajudando-os em muitas missões; Orientou, também, Jasão.
Diz-se que a desvalorização do culto de Hera se deu com Homero que lhe deu atributos de Deusa ciumenta e submissa a Zeus.

Hera é uma Deusa vaidosa que defendia os casamentos e uniões. Se via sempre competindo com a beleza de Afrodite. Descrita como uma belíssima mulher com uma coroa de ouro na cabeça que se preocupava com a aparência
Teve como ama as Horai, divindades das estações e da passagem do tempo; tinha como mensageira Íris, a personificação do arco-iris e mensageira dos Deuses; a poio de suas filhas Ilithyia, deusa do parto e de Hebe, a Deusa da juventude(a quem forma uma díade, uma dupla); e a companhia das Nephelai, as ninfas das nuvens.

Seus símbolos são a diadema de ouro, símbolo de realeza; o Pavão, ave belíssima que Hera criou com os olhos de Argos e simboliza seu encanto e beleza; a romã, símbolo do auspício e fecundidade; a vaca, seus chifres simbolizam a lua; e o cetro de ouro, símbolo de poder.



  • COMPLEMENTOS


FOTO:

* "S4.2 HERA "JUNO CAMPANA" no museu Du Louvre em Paris na França. (theoi.com);

REFERÊNCIAS:

Consulta Online

  • www.theoi.com/ (Dezembro 2013)
  • www.pantheon.org/ (Dezembro 2013)
  • www.mythweb.com/(Dezembro 2013)
  • www.helenos.com.br/(Dezembro 2013)

Livros, periódicos e textos

  • SALIS, Viktor D. - Mitologia Viva, aprendendo com os deuses a arte de viver e amar.
  • BULFINCH, Thomas - O Livro de Ouro da Mitologia, Histórias de Deuses e Heróis.
  • HESÍODO: Tradução TORRANO, Jaa - Teogonia, A Origem dos Deuses.
  • HOMERO: Tradução MENDES, Manoel Odorico - Ilíada
  • BRANDÃO, Junito de Souza - Mitologia Grega.
  • SEMIÃO, Viriato - A Genealogia dos Deuses: Comparando Hesíodo com Apolodoro

quinta-feira, 5 de março de 2015

LÁPIS LAZÚLI



"Hoje vamos falar de uma pedra azul de uma cor intensa que foi usada tanto  como pigmento da pinturas de grandes mestres como Michelangelo como maquiagem de rainhas belíssimas como Cleópatra. Sim, estamos falando da Lápis Lazúli!"

Lápis Lazúli é formada pela mistura de vários minerais contendo em maior quantidade a lazulita (de 25% até 40%), a calcita e a pirita e em menores quantidades pode conter Diópsidio, Piroxena e outros minerais.  Sua dureza em Mohs é de 5 a 6 sendo resistente a pequenas quedas e arranhões.

A Lápis Lazúli de melhor qualidade é encontrada no nordeste do Afeganistão e em partes da Ásia; outras jazidas estão nas Montanhas Andinas do Chile, na Rússia, Argentina, Canadá, Índia e Sibéria.
O nome Lápis vem do Latim e significa "pedra" e do persa "Lazhward" que significa Azul.

A cor desta pedra varia entre azul esverdeado, azul profundo ou marinho, azul claro e o tom índigo. A rocha pode ainda apresentar inclusões douradas ou brancas formando padrões em sua estrutura. A Lápis Lazúli assemelha-se ao mineral Sodalita podendo ser confundida em alguns casos.

 O tom do azul depende da quantidade do mineral Lazurita em sua composição sendo que, quanto mais azul e puro, mais raro e caro será. A Lazurita pertence ao grupo dos Silicatos e ao grupo da Sodalita.
A composição do Lápis Lazúli é  principalmente de "aluminossilicato" ou seja, alumínio, silício e oxigênio. Além da Lazurita a Lápis Lazúli contém inclusões dos minerais Pirita e Calcita criando traços diferentes em sua cor.

 Existem duas variedades de Lápis Lazúli conhecidas, A Lápis Chilena (Chilean Lápis) que possui um tom de azul intenso com algumas incursões de Pirita e o Denim Lápis que possui uma coloração clara de azul causada pela quantidade de Calcita em sua composição.

Em função de sua dureza e resistência, o Lápis Lazúli é uma pedra que dura por gerações, mas pode não aguentar altas temperaturas, substâncias químicas de limpeza e muita pressão sobre a peça.  Limpe a pedra com água e sabão e seque com tecido macio. Na joalheria, evite passar produtos de limpeza para metais sobre a pedra.
Evite colocar a pedra solta junto de outras pedras pois, dependendo da dureza destes outros cristais, podem riscar a Lápis Lazúli.


(Talismã Funerário egípcio trabalhado com Lápis Lazúli.
Adorno era posicionado sobre o peito do morto.. - Ref. vejarioonline)

  • HISTÓRICO

Lápis Lazúli é uma das pedras mais usadas pelo homem ao longo da história. Seu tom azul é associado a nobreza, aos Deuses e à honra. Na Suméria, era associada ao divino. Acreditavam que a pedra continha a alma da divindade e que quem a usasse teria a força da mesma.
Na antiga Pérsia e nas Américas pré colombianas, a Lápis Lazúli era o símbolo das noites estreladas e foi a pedra favorita do Islamismo oriental  contra o mau olhado.  São encontradas constantemente ornamentos e joias feitas de Lápis Lazúli ao longo de todo o Mediterrâneo, indicações de que a pedra já era popular entre os antigos Romanos, Gregos, Egípcios e Persas.
 Diz-se que a antiga cidade de Ur , na foz do Rio Eufrates, comercializava a Lápis Lazúli no IV a.c. A  pedra chegava à cidade pelos rios e vinha dos depósitos no Afeganistão.

Muitas vezes a palavra "safira" utilizada na Bíblia é na verdade referencia a Lápis Lazúli a qual era desconhecida naquela parte do mundo.  A menção da Lápis Lazúli na Bíblia demonstra o quanto esta pedra foi popular e valorizada. Este cristal adornava os peitorais dos Sumo Sacerdotes de Israel* e do Sumo Sacerdote Egípcio  em Mênfis.

Alexandre, o Grande, trouxe para a Europa anéis e escaravelhos, besouros adorados pelos egípcios, feitos  de Lápis Lazúli.  Em 1271, Marco Polo passou por uma das minas de Lápis Lazúli na Ásia que acreditou estarem em operação a mais de 5.000 anos.
 Durante a Renascença, Catharina, a Grande ( 1729 - 1796), Rainha da Rússia, decorou um salão de baile inteiro desde as paredes, molduras de espelhos e lareiras com  a magnífica pedra azul.  Foi a pedra predileta do Rei Luiz XIV da França (1638 - 1715) e do Rei Ludwig da Baviera (1845 - 1886 ).

 Além de adornos e ornamentos, a Lápis Lazúli era utilizada na fabricação de tintas e maquiagens.  Os Egípcios criavam maquiagens para a sombra dos olhos com o tom azul da pedra.
A produção sintética do tom azul chamado de ultramar só começou a ser produzida em 1834. Até então se utilizava o pigmento da Lápis Lazúli.  Os antigos mestres renascentistas   produziam tintas a óleo e aquarelas com este azul e a cor era tão intensa que era capaz de ofuscar as outras cores na pintura.  Este tom de azul foi muito utilizado nas pinturas da Madonna (Virgem Maria) da época  e, apesar de cara, foi a favorita de muitos artistas tais como Michelangelo (1475-1564).

Na Índia contemporânea, um colar de contas de Lápis Lazúli presas por um fio de ouro é usado pelas crianças para garantir boa saúde, crescimento e proteção.   Outrora, servia para afastar medos e fantasias perturbadoras.
A Lápis Lázuli é uma pedra cara e de qualidade boa. Na lapidação é cortada em formato de "cabochão"* , contas e peças entalhadas. É bastante utilizada na joalheria, sendo apreciada em pingentes, braceletes e brincos mas não muito utilizada em anéis devido a sua baixa resistência.
 Por ser de um material "poroso", muitos comerciantes intensificam sua cor com corantes.   A Lápis Lazúli foi sintetizada com sucesso recentemente. Muitos joalheiros  comercializam a pedra sintética que pode ter ou não pirita em sua composição.  As pedras Howlita e Jaspe podem ser também coloridas artificialmente simulando a Lápis Lazúli e vendidas como tal.

  • ENERGIA DA LÁPIS LAZÚLI

Segundo o autor Scott Cunningham, a Lápis Lazúli possui uma energia receptora sendo reconfortante e inspiradora. Este cristal é conhecido por seu poder espiritual e mágico e é relacionada a amizade, honestidade  e a comunicação que estimula o senso de justiça e bom julgamento.
 Associada aos signos de Sagitário, Touro e Libra. Possui a energia da água que purifica e representa o renascer e tem as influências de Vênus e Júpiter.
 Sempre foi associada aos curandeiros, à realeza e aos padres. É um cristal que amplia as habilidades intelectuais e sensitivas.

A Lápis Lazúli é ótima para a meditação. Auxilia na busca da compreensão e da contemplação além de trazer harmonia nos níveis espirituais, físicos e mentais.

Atua no Chakra* do Terceiro Olho ampliando nossas habilidades psíquicas e nossos trabalhos com sonhos. Age também no Chakra da Garganta auxiliando na comunicação e expressão de ideias e emoções de forma mais clara e controlada.

No Feng Shui*, é uma pedra que traz  serenidade, saúde e abundância. Ótima para o lar e para os ambientes de estudo e de trabalho.  Por causa do elemento água, esta é uma pedra que pode ser posicionada ao norte do aposento.
  Na magia, a Lápis Lázuli é um talismã contra energias e pensamentos negativos atuando como um espelho, repelindo e refletindo o que nos é enviado. Deve ser utilizada para o bem pois auxilia a concretizar o que é certo.

No âmbito emocional a  pedra combate com afinco a depressão e desfaz a raiva contida,  permitindo-nos  comunicar com mais clareza e honestidade. Este cristal combate o estresse e a ansiedade trazendo a paz e a serenidade.  É ótima para a comunicação de qualquer meio e para o convívio em casa.

No âmbito físico, a Lápis Lazúli é perfeita para combater  as dores de enxaqueca além de fortalecer nosso sistema imunológico, respiratório e nervoso. Benéfica contra inflamações e picadas de insetos , auxilia a mulher nos períodos de menstruação.

No âmbito mental, é uma pedra que desenvolve a concentração e é benéfica para a  memória, amplia as habilidades intelectuais e o processo de aprendizagem.  Estimula a criatividade e os sonhos. Para quem trabalha com criatividade, comunicação ou está estudando, esta  é uma boa pedra.

  • CURIOSIDADE

O Lápis Lazuli foi usado pelos egípcios como uma  das formas mais valiosas de homenagear seus mortos: a pedra era moída e colocada sobre os olhos dos faraós para que estes pudessem ver as portas da entrada para a outra vida. Era também  utilizada  em máscaras mortuárias, joias,amuletos,escaravelhos,esculturas  adornando os mortos pois simbolizava a água como elemento primordial da criação e assim os ajudaria a renascer para a vida  no Outro Mundo .

A máscara funerária de Tutankhamon, um faraó que reinou no antigo Egito (18ª Dinastia A.C),   foi encontrada na sua tumba real, no Vale dos Reis , tem os olhos adornados pela Lápis Lazuli.  No templo de Karnak, o antigo templo principal dedicado ao Deus Amon, os alto relevos encontrados lá, datando da época de Tutmés III, sexto Faraó a governar na 18ª Dinastia egípcia, ilustram fragmentos e peças em lápis lazúli sendo entregues a ele como tributo.

Em diversos outros sítios no Egito foram encontradas peças decorativas e ornamentos feitos com a  pedra. O inseto escaravelho era tido como símbolo de imortalidade e reencarnação pelos egípcios e talismãs feitos de marfim, osso e lápis lazúli eram enterrados junto aos mortos garantindo uma passagem para o outro mundo de forma segura.

Além de sarcófagos coloridos,  talismãs mortuários, joias e outras peças da pedra, a cor da Lápis Lazúli era bastante apreciada como cosmético pelos antigos egípcios.  Cleópatra (69 - 30 a.c.), famosa rainha egípcia, coloria as pálpebras superiores com  sombra para olhos feita com o pó da Lápis Lazúli.


  • COMPLEMENTOS

GLOSSÁRIO

* Escala de Mohs : Escala de dez valores criada pelo mineralogista alemão Friedrich Mohs em 1812 que mede a dureza e resistência de um mineral contra arranhões e quedas. A escala possui 10 valores de dureza começando pelo 1, o mais frágil e terminando no 10, o mais resistente. Ex.  1 - Talco e no 10 - Diamante ;
* Peitoral do Sumo Sacerdote de Israel: Se refere a uma "bolsa" ou "tecido" adornado com 12 pedras preciosas presa ao peito do Sacerdote. Este Peitoral é sagrado e as doze pedras possuem ligação com as doze tribos de Israel.
* Cabochão: Uma gema lapidada com cantos arredondado geralmente em forma convexa e oposta a gema "facetada" (de lapidação reta);
*Chakras(chacras): Segundo a filosofia hindu, são vórtices de energia vital de diferentes vibrações eletromagnéticas que unem o corpo físico ao espiritual. Existem sete chakras principais posicionados ao longo da coluna vertebral e cada um representa um aspecto de nossa vida, incluindo físicos, materiais, espirituais, sexuais, etc.*Feng Shui: De forma abreviada, Feng Shui é uma arte chinesa antiga que busca a harmonia entre o ambiente e as pessoas que nele vivem ou trabalham, conseguindo-se assim, uma vida mais feliz e serena. 


REFERÊNCIAS
As consultas apresentam o mês e o ano em que foram consultadas.

Consulta Online
  • healing.about.com  - (Agosto 2014) 
  • ancienthistory.about.com  - (Agosto 2014)
  • www.mindat.org/ - (Agosto 2014)
  • www.lazulita.cl/ - (Agosto 2014)
  • webmineral.com- (Agosto 2014)
  • www.gemselect.com - (Agosto 2014)
  • www.gemstone.org - (Agosto 2014)
  • www.minerals.net - (Agosto 2014)
  • meanings.crystalsandjewelry.com - (Agosto 2014)
  • www.crystalvaults.com - (Agosto 2014)
  • fengshui.about.com - (Agosto 2014)
  • www.cenif.com - (Setembro 2014)
  • www.joiabr.com.br - (Setembro 2014)
  • gemologyonline.com - (Setembro 2014)
  • www.gemdat.org - (Setembro 2014)
  • www.cprm.gov.br - (Setembro 2014)
  • www.rc.unesp.br - (Setembro 2014)
Livros, periódicos e textos
  • FARRIGTON, Oliver Cumming.  Gems and Gem Minerals; 1954
  • KUNZ, Frederich, George. The Curious Lore of Precious Stones; 1903 
  • HALL, Judy. A Bíblia dos Cristais; 2012
  • DUNCAN Antonio. ABC dos Cristais; 1992.
  • SIMPSOM, Liz. O Livro da Cura Pelos Cristais; 1999 
  • CUNNINGHAM, Scott. Cunningham's Encyclopedia Of Crystal, Gem & Metal magic; 1996
  • UYLDERT, Mellie. A Magia das Pedras Preciosas; 1998